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Procura por exames contra câncer de próstata aumenta em JF - Babel FM

Procura por exames contra câncer de próstata aumenta em JF

Campanha Novembro Azul completa uma década neste mês e tem como objetivo estimular a prevenção; fachada da Câmara foi iluminada para conscientizar população

(Foto: Fernando Priamo)

Após cair significativamente nos meses mais críticos da pandemia, o número de exames para diagnosticar o câncer de próstata voltou a subir em Juiz de Fora nos últimos meses.

De julho a setembro de 2021, a média do teste Antígeno Prostático Específico, conhecido como PSA, foi de 2.214 testes mensais, quantidade 73,7% maior em comparação com o mesmo período de 2020 (1.274 testes mensais). Os dados, disponibilizados pela plataforma DataSUS, mostram que os homens estão retomando os cuidados com a saúde, seguindo orientações de especialistas para prevenir doenças graves.
O câncer de próstata é o segundo tumor que mais acomete homens no Brasil, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), era estimado o surgimento de 65.840 novos casos de câncer de próstata em 2021 no país. Entretanto, muitos podem nem ter sido diagnosticados, já que, em 2020, o número de exames e consultas com urologistas caiu bruscamente. Em Juiz de Fora, por exemplo, a média de exames PSA realizados era de 2.051 entre janeiro e março, segundo o DataSUS, mas caiu para 552 entre abril e junho, quando tiveram início as medidas restritivas para conter o avanço do coronavírus.

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e professor na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Alexandre Ferreira Oliveira, essa diminuição de exames no ano passado pode resultar em diagnósticos tardios. “Já temos observado um aumento de diagnósticos de casos avançados devido à falta do rastreamento durante a pandemia. Por isso, é preciso que as pessoas que retardaram esses exames, voltem a fazer o acompanhamento necessário”, orienta.

Diagnóstico precoce

O diagnóstico precoce aumenta as chances de cura para 90%, de acordo com o Inca. Para isso, é recomendado que homens a partir dos 45 anos realizem anualmente os exames de toque retal e PSA. Já em casos em que o paciente tem histórico familiar, é recomendado que ele faça os exames a partir dos 40 anos. “É importante ressaltar que não adianta fazer somente o PSA se não fizer o toque retal, um complementa o outro. Caso ocorra alguma alteração, será indicada a biópsia e o ultrassom para completar o diagnóstico”, afirma Alexandre.

Em Juiz de Fora, as ultrassonografias de próstata também apresentaram diminuição durante a pandemia. Conforme o DataSUS, foi identificada uma redução de 97,5% na realização dos exames entre abril e junho de 2020, se comparado aos três primeiros meses do ano. O número, felizmente, voltou a subir em 2021. No mesmo período deste ano, a média de exames foi 87% maior. Somente em setembro deste ano, 162 ultrassonografias de próstata foram realizadas, quase metade de todos os exames feitos no restante do ano – 292 no total.

Aumento dos casos e fatores de risco

Entre os estados da Região Sudeste, Minas Gerais é o que mais tem casos de câncer de próstata. Um levantamento feito pela empresa Azos, com base em dados do Governo federal, mostrou que o estado teve um aumento de 17% nos óbitos em relação à doença entre 2014 e 2019. Durante esses anos, foram 9.055 vidas perdidas pelo câncer de próstata em Minas.

A pesquisa ainda aponta que as mortes causadas pela doença cresceram 7,65% na faixa etária entre 50 e 60 anos em todo o país no mesmo período. Já entre a população masculina com idades entre 60 e 70 anos, o crescimento no número de óbitos dá um salto para 22,16%, o que é determinante para a elevação da média em cinco anos.

Além da idade e do histórico familiar, homens negros também podem ter maior tendência ao câncer de próstata. Recentemente, algumas mutações genéticas também foram identificadas como responsáveis por um maior risco da doença. A pesquisa completa está disponível no link.

Estigma

O preconceito é a maior barreira na realização dos exames, principalmente o de toque retal. O médico urologista Benjamin Godinho, que trabalha no Hospital Alberto Cavalcanti, da Rede Fhemig, em Belo Horizonte, afirma que os estigmas decorrem principalmente do fato de tratar-se de um órgão do sistema reprodutor masculino “muitas vezes relacionado de maneira equivocada à potência sexual. Junta-se a isso o preconceito quanto à realização do exame de toque retal para avaliação de alterações da glândula, como endurecimento ou presença de nódulos.”

Além da idade e do histórico familiar, homens negros também podem ter maior tendência ao câncer de próstata. Recentemente, algumas mutações genéticas também foram identificadas como responsáveis por um maior risco da doença. A pesquisa completa está disponível no link.

Estigma

O preconceito é a maior barreira na realização dos exames, principalmente o de toque retal. O médico urologista Benjamin Godinho, que trabalha no Hospital Alberto Cavalcanti, da Rede Fhemig, em Belo Horizonte, afirma que os estigmas decorrem principalmente do fato de tratar-se de um órgão do sistema reprodutor masculino “muitas vezes relacionado de maneira equivocada à potência sexual. Junta-se a isso o preconceito quanto à realização do exame de toque retal para avaliação de alterações da glândula, como endurecimento ou presença de nódulos.”

No entanto, o câncer pode ser uma doença silenciosa. Como explica Benjamin, a próstata pode ser acometida por tumores malignos ou benignos. No caso dos benignos, os sintomas iniciais são a diminuição do jato urinário, sensação de esvaziamento da bexiga, vontade de urinar a todo momento, entre outros. Os tumores malignos, no entanto, só costumam apresentar os sintomas em uma fase mais avançada.

Câmara lembra Novembro Azul com ações especiais

Neste mês, a campanha do Novembro Azul, já conhecida por incentivar a adoção de medidas de prevenção contra o câncer de próstata, completa uma década. Em Juiz de Fora há campanhas relacionadas ao tema para conscientizar a população masculina acerca da doença.

A campanha “Homem de atitude é o homem que se previne”, da Câmara Municipal de Juiz de Fora, é uma delas. O órgão tem realizado uma série de publicações nas redes sociais sobre as causas e os sintomas do câncer de próstata, além de orientar os homens sobre prevenção explicar como são os exames de detecção da doença. Além disso, a Câmara instalou iluminação especial azul em seu prédio, na Rua Halfeld, para lembrar a população sobre a campanha.

O professor de medicina Alexandre Ferreira Oliveira lembra, entretanto, que é importante celebrar o mês de conscientização do combate ao câncer de próstata, mas destaca que é preciso ter consciência sobre a doença em todos os meses do ano. “A atenção para esse tema tem que estar voltada o ano inteiro. Não é preciso esperar ter sintomas de câncer de próstata para se fazer o diagnóstico, o rastreamento salva vidas.”

Fonte :Por Mariana Floriano, sob supervisão da editora Rafaela Carvalho

 

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