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Brasileira tem cabelo examinado em aeroporto na Itália: “Me senti como um tapa - Babel FM

Brasileira tem cabelo examinado em aeroporto na Itália: “Me senti como um tapa

Gessica Borges retornava de uma viagem à Roma com o namorado, Rodrigo Gonzalez, quando foi parada no aeroporto. Ela teve os cabelos black power revistados por uma funcionária branca que não explicou o motivo do ato. “Me sentindo como um objeto sem vida, apesar do coração disparado”

Gessica Borges, de 30 anos, estava voltando de uma viagem à Roma, em comemoração aos 7 anos de namoro com Rodrigo Gonzalez. A redatora, que vive há quatro anos em Portugal, passou por uma situação constrangedora no aeroporto, enquanto seguida para a sala de embarque da companhia aérea.

A brasileira contou que na hora de passar pela segurança do aeroporto de Roma, ouviu um apito e foi impedida de seguir por uma funcionária do aeroporto, que pediu permissão para “checar” seus cabelos. “A segurança ficou apalpando ele um tempo, procurando para ver se sentia algo. Não sei quanto tempo se passou, um minuto talvez, mas pareceu muito mais”, contou. “Eu realmente não estava acreditando naquilo, fiquei estática, torcendo pra acabar logo, me sentindo um objeto sem vida, apesar do coração disparado. Eu senti que aquilo era errado, mas não consegui dizer nada, porque temi que, se reclamasse, a situação se agravaria pro meu lado”, relatou à Marie Claire.

Naquele momento, eu estava revoltada, ofendida. Rodrigo, que é branco, não foi parado, estava me esperando naquelas mesas onde a gente pode arrumar as bolsas. Olhou pra mim e perguntou “o que aconteceu?”, respondi “nada… Ou o de sempre”. Não sabia mais o que dizer. Só queria me afastar daquele espaço, como se pudesse me afastar da humilhação.

Todo o resto do tempo antes de embarcarmos eu fiquei quietinha, tentando não pensar no assunto. Fiquei tentando justificar a atitude: é procedimento padrão / realmente você poderia estar escondendo algo no cabelo / etc, etc… Mas depois vi que não fazia sentido. Quantas pessoas brancas podem dizer que tiveram seus cabelos revistados/apalpados na revista do aeroporto? Por que é tão comum, para nós, pessoas negras, sermos paradas neste tipo de situação?

Um desejo

“Que as estruturas sociais, políticas e econômicas não permitissem que as pessoas fossem maltratadas ou feridas por serem diferentes. Mas o sistema permite, e inclusive estimula essa discriminação. Se depender das pessoas, a mudança pode levar muito mais tempo, ou não acontecer nunca. São raras as que saem do seu lugar de privilégio e repensam o mundo em volta. É por isso que — quando coisas desse tipo acontecem, e pelo que recebi de mensagem, não são raras as vezes — sempre terá alguém para encontrar uma justificativa que minimize a experiência de sofrimento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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